17 janeiro 2011

História da Análise do Comportamento





1859 - Charles Darwin lança "A Origem das Espécies". O Darwinismo muito inspirou o trabalho de Skinner.


1870 - William James se destaca como precursor do Pragmatismo, abordagem filosófica que muito influirá no Behaviorismo atual.


1879 - Wundt cria o primeiro laboratório de Psicologia. Com sua Psicofísica, Wundt inaugura na prática a idéia de que a Psicologia deveria ser mais que especulações metafísicas: deveria contar com suporte experimental.


1890 - O físico Ernst Mach delimita o Funcionalismo, abordagem filosófica determinante, mais tarde, à obra de B. F. Skinner.


1904 - Pavlov ganha o prêmio Nobel de Medicina por seu pioneiro trabalho sobre aprendizagem. O cientista russo supera o modelo de estudo da Fisiologia apenas pela vivissecação ao defender a unidade mínima de estudo o reflexo, que é uma relação entre estímulo e resposta.


1910 - Watson torna-se o grande expoente do Behaviorismo Metodológico, com seu livro "A Psicologia como um Behaviorista a vê", onde questiona a introspecção como fonte de dados para a Psicologia e defende o uso de experimentos laboratoriais no lugar.


1920 - Wittgenstein inaugura a "Filosofia Analítica", que muito veio a contribuir com o Behaviorismo Radical.


1910-1940 - Primeira geração de terapeutas comportamentais, pautados na "Modificação do Comportamento". Nessa fase, sem conhecimentos técnicos e sem rigor ético, surgem grandes problemas e estereótipos com a terapia comportamental que duram até hoje.


1930 - Autores como Tolman e Hull propõem o Behaviorismo Mediacionista, que entende que o organismo se relaciona com o ambiente de forma indireta, mediado por "variáveis interiores". Essa versão dualista do Behaviorismo, contudo, não foi para frente, sendo substituído pela seguinte (o Behaviorismo Radical). Nessa época, Thorndike também estabelece suas Leis da Aprendizagem.


1940 - B. F. Skinner surge superando o modelo Pavlov-Watson, de reflexo condicionado, ao inaugurar o conceito de comportamento operante, bem como de comportamentos encobertos. Com isso Skinner cria o Behaviorismo Radical, pautado não no reflexo como unidade mínima de análise, mas nas contingências de reforçamento.


1950-1970 (Período crucial, cheio de reviravoltas!)


- Gilbert Ryle aplica a Filosofia Analítica ao Behaviorismo.


- Surge a 2a geração de terapeutas comportamentais. Fase da Terapia Comportamental clássica: já madura e bem formatada.


- Ocorre a suposta "Revolução Cognitiva", minando a influência do Behaviorismo


- Surge os pós-Behavioristas, como Bandura, que defendem uma mistura do Behaviorismo Radical com o Cognitivismo (que para muitos é a 3a geração do Behaviorismo, depois do Metodológico e do Radical, chamado "Behaviorismo Social". Prefiro ver nisso, contudo, apenas uma tentativa frustrada de misturar o Behaviorismo Radical com o Cognitivismo, e falar de temas que o Radical já aborda, como a aprendizagem social)


- Noam Chomsky publica uma resenha desfavorável ao livro "Comportamento Verbal" de Skinner, que por muitos anos ficou sem resposta, o que, para muitos, prejudicou a fama do Behaviorismo


- Advento do paradigma misto Cognitivo-Comportamental, como suposto destronador da Análise do Comportamento


- Devido a todos esses fatores mencionados acima, nesse período entre 1950-1970 acontece o que chamo de "O Grande Entrincheiramento". I.e., os behavioristas se escondem nas universidades, único ambiente não tão hostil às suas idéias, onde podem desenvolver, longe dos olhos da sociedade leiga, suas pesquisas teóricas e básicas (deixando um pouco de lado as pesquisas práticas e intervenções). Por causa do Entrincheiramento o Behaviorismo parece ter morrido para o público leigo, quando na verdade estava criando raízes e crescendo de forma discreta no ambiente acadêmico.


- Arthur Staats sugere que uma 3a geração para o Behaviorismo (sendo o Metodológico a 1a e o Radical a 2a). Staats chama essa nova versão de "Behaviorismo Social" (posteriormente, "Behaviorismo Psicológico") e diz que ele seria mais capaz de explicar os comportamentos humanos complexos por lidar melhor com emoções, aprendizagem social e símbolos.


1980 - Richard Rorty expande e atualiza o Pragmatismo, somando-o à Filosofia Analítica. Leitura indispensável para todo Behaviorista atual.


1990 - 


- Surge a 3a geração de terapeutas comportamentais, com novas abordagens como a FAP e o ACT.


- Temas sociais cada vez mais ganham a atenção de behavioristas. A Análise do Comportamento mais e mais sai dos laboratórios e vai ao social.




de 2000 para cá:


- Os Cognitivistas começam a enfatizar mais o ambiente como determinante, se tornando mais parecidos com os behavioristas. Ex: Cognição Situada.

- nos EUA vê-se uma nova onda de behavioristas, oriundos não do meio acadêmico, mas do ambiente profissional, especialmente em Saúde, movidos em grande parte pela eficácia notória do método behaviorista para tratamento do autismo.

- no Brasil multiplica-se o número de periódicos, eventos, congressos, pós, etc, sobre Behaviorismo e Análise do Comportamento. Ainda de forma discreta os behavioristas brasileiros começam a sair do entrincheirado meio acadêmico rumo à sociedade leiga.


Nesse contexto histórico, hoje os behavioristas se vêem diante de um instigante dilema: "Como ir além das trincheiras acadêmicas sem por a teoria-prática a perder em termos de criteriosidade e rigor?"




2 comentários:

Pedro H. T. Siqueira disse...

CARa, muito bom esse post!!! É muito motivador!

Marcos A. Rodrigues Jr disse...

Parabéns!

Desejo muito ajudar a A.C. a sair do "entrincheiramento" quando eu me formar, e ainda enquanto aluno da faculdade.

Muito bom post!